Segunda posto alguns trechos da minha coluna no @jornaldacidadegv Hoje segue continuação→2024: SERÁ MESMO, NOVINHO EM FOLHA?

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Boa leitura, beijos e ótima semana 💜

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Há uma repetição insistente, de uma gama de prática que prejudica a escola, que, até o que é absolutamente possível modificar, sem a mínima interferência dos políticos, a escola vai lá e reitera. E isso acontece logo no início de cada ano e a primeira reunião pedagógica parece um infinito déjà vu. Os condutores das reuniões, com algumas exceções, abrem as atividades escolares num paradoxo entre o sonoro e o dito. As palavras otimistas são proferidas no contraste de uma rouquidão afônica. Começam dando alguns avisos sobre as datas comemorativas do calendário: “não marquem coisas pessoais, a escola precisa de você, professor”! Tem o dia do índio (tem escola que não aprende, nem com lei!), tem o dia das mães, dos pais, do meio ambiente, da árvore, de Nossa Senhora, da criança, do professor (vai ganhar bombom e cartãozinho com frase do Augusto Cury!), tem o dia da Consciência Negra, dia do livro (que quase ninguém lê, mas, tudo bem, basta lembrar e fazer cartaz); em dezembro tem o aniversário de Jesus, confras, amigo oculto e por fim, férias.

A languidez discursiva entrega, sem omissão, a tristeza pelo pouco número de feriados, uma decepção esse 2024! Serão duzentos dias letivos, um lote de umas oitocentas horas repetindo planos, sequências didáticas, PPPs, abordagens interpessoais, ‘estratégias’ avaliativas, metodologias e tudo o mais que nunca deu muito certo. Em alguma escola, uma alma veterana (com sorte) vai ler um texto do Rubem Alves ou dar “play” numa música do Pink Floyd que façam críticas a certo tipo de educação, que esta mesma gestão escolar faz questão de preservar, até encardir as folhas branquinhas do ano que começa. Em algum momento de devaneio, espirituosamente maternal, alguém soltará frases de efeito (que acredita ser de encorajamento): “gente, não vamos desanimar”; “Deus proverá”!
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