Segue a última parte do artigo 2024: SERÁ MESMO, NOVINHO EM FOLHA? da minha coluna no @jornaldacidadegv

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Boa leitura, beijos e ótima semana 💜
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Quantos absurdos! Quanta repetição, seu Freud! É um abismo movediço que não parece bastar buraco e escuridão, ainda há o movimento tortuoso da ameaça de sufocamento. É como imprimir o desespero em papel contínuo, de alguma Epson de 1998 e a todo momento ter que ajeitar os metros das folhas no chão. É angustiante que todo ano, o professor tenha que escutar a mesma ladainha, das mesmas pessoas, recebendo a mesma miséria e entrando nas mesmas estruturas precárias. Um ano letivo “novinho em folha” é uma fábula que nunca teve sentido moral para a comunidade escolar.
Após refletir essas continuidades e permanências estruturais, comemorar início de ano letivo é um escárnio. O professor anda desgostoso, se esforça para resistir num sistema que o condiciona a vender rifa e a fazer bandeirola pra festa junina. Ele não aguenta mais ler trecho solto de poema cult sem contexto, sem os propósitos da Educação, da reunião pedagógica e do danado do ano letivo. Professor não tem preguiça de estudar, ele tem é um profundo desânimo de passar o ano inteiro em reuniões vazias, ouvindo quem não defende e nem acredita que a educação é o único meio de transformação social e, que só a partir da valorização da profissão, é que as principais mudanças acontecerão.
O sentimento de esperança que invade os professores é de ter reconhecimento social, dignidade laboral, remuneração justa, incentivo formativo e tempo para contemplar a vida e a natureza; ter lazer, poder viajar, estar com a família e gozar de tédio e ócio. Sabemos que a criatividade e a imaginação importam tanto quanto o conhecimento. Mas a exaustão destrói a principal classe que opera no desenvolvimento humano e no crescimento econômico de uma Nação. Desejamos construir outra escola, outra história, ter outra existência. Não é nosso o desejo de continuar conjugando verbos no pretérito mais-que-perfeito, nem perpetuar práticas e experiências bolorentas. O mal-estar docente e escolar antecedem 2024, que não duvidamos ter folhas novas, difícil é que não estejam amassadas e amareladas.
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