O Brasil no PISA/2025: entre o cinismo das manchetes e o emapte com nações em crises humanitárias (parte 2)
Confesso que conciliar a exaustiva rotina de trabalho com as demandas da vida pessoal e a manutenção de uma página que exige pesquisa rigorosa e estudo constante sem qualquer remuneração é um desafio que frequentemente me faz pensar em desistir. A sobrecarga de prioridades e as cobranças diárias pesam de forma esmagadora, mas a necessidade de debatermos o cenário educacional com seriedade sempre me traz de volta para este espaço. Retomo a nossa análise crítica sobre o Pisa aproveitando o momento decisivo que viveremos no próximo domingo para conectar o nosso trágico abismo escolar com a imensa responsabilidade das nossas escolhas nas urnas.
Nós encerramos a primeira parte deste texto constatando o absurdo doloroso de que o atual desempenho dos nossos alunos empata com os resultados de nações devastadas por guerras e hoje aprofundo essa reflexão olhando para as políticas de precarização que destroem o ensino público. Enquanto o Brasil estagna nas avaliações internacionais, governadores e prefeitos impõem uma plataformização agressiva que adoece o educador e burocratiza a nossa rotina de forma insustentável. Os professores estão sendo soterrados por sistemas ineficientes e planilhas intermináveis que roubam o tempo do planejamento pedagógico unicamente para gerar índices artificiais e alimentar o marketing político em cima do Ideb.
Toda essa maquiagem estatística ocorre para esconder a falta de investimentos estruturais e o abandono absoluto das nossas juventudes periféricas enquanto o Estado transfere a culpa do seu próprio fracasso para os ombros de quem ensina. Neste domingo nós teremos a oportunidade inadiável de confrontar essa realidade e transformar a nossa indignação em um acerto de contas histórico em defesa da escola pública. Nós precisamos ter clareza de que o futuro da educação básica exige a escolha de projetos comprometidos com a infraestrutura real e com a valorização salarial da carreira docente para revertermos a estagnação que o Pisa esfregou na nossa cara.
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