SP erra feio

Tarcísio de Freitas foi reconduzido ao governo com 62% dos votos válidos. Mas o que essa escolha representa para a educação pública paulista? A resposta está nos dados, nos relatórios e nas denúncias de educadores: o saldo é de retrocesso, precarização e aprofundamento das desigualdades.
Plataformização que precariza o trabalho docente e compromete a aprendizagem. A gestão Tarcísio, sob o comando do secretário Renato Feder, consolidou a obrigatoriedade de plataformas digitais que transformam o professor em reprodutor de slides padronizados. Relatório da Dhesca Brasil aponta que essa política reduz a autonomia pedagógica e se aproxima de uma educação bancária. Das 31 plataformas adotadas, 10 têm função de controle do trabalho pedagógico docente, incluindo registro de frequência e monitoramento das aulas digitais lecionadas. Uma nota técnica do Gepud e da Repu concluiu: "Não são as plataformas que estão a serviço das escolas; as escolas é que estão a serviço das plataformas".
Ataque à carreira docente: o governo faz pagamentos de bônus que não se incorporam ao salário e não geram progressão na carreira. Em 2026, anunciou cerca de R$ 1 bilhão em bonificações, mas o recurso poderia ser incorporado aos salários, garantindo reajuste linear para todos os professores. O estado mais rico do país sequer paga o piso salarial nacional da categoria, segundo a Apeoesp, e o modelo de bonificação por metas funciona como chantagem para ocultar o arrocho salarial e desestruturar a carreira.
Sucateamento da rede e cortes orçamentários: a rede estadual perdeu mais de 256 mil matrículas entre 2024 e 2025, e há denúncias de fechamento de salas de aula e transferência de escolas para a gestão municipal em condições precárias.
Privatização da gestão: o governo defende abertamente as Parcerias Público-Privadas na administração de escolas, com o argumento de que permitiriam à equipe escolar focar apenas no ensino. Na prática, o projeto "PPP Novas Escolas" prevê que a iniciativa privada se torne gestora dos serviços não pedagógicos, como limpeza, manutenção, alimentação, vigilância e internet (contratos chegam + R$ 3 bilhões).
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