Por que o vocabulário da educação gera tanto ódio?

Nos últimos dias, este espaço de debate tornou-se, involuntariamente, um estudo de caso sobre a intolerância. Ao descrever as mazelas do ofício docente, o mal-estar que nos habita e o nosso direito ao descanso, fui atravessada por uma onda de comentários agressivos que fugiam a qualquer lógica dialógica.
Observei, analisei e respondi.
Não o fiz por ingenuidade ou para tentar convencer quem não deseja o diálogo. Respondi por posicionamento político e pedagógico. Era fundamental que vocês, audiência qualificada, vissem a olho nu como opera o mecanismo de ódio contra o intelectual no Brasil. O objetivo foi transformar o ataque em aula.
E a pergunta que permanece é: por que a fala de uma professora sobre as dores e os danos do seu ofício desperta reações tão virulentas?
A resposta reside no fato de que o professor, no imaginário social, deve ocupar o lugar do sacerdócio mudo (o imperativo do “parem de chorar”, “faz o L e cala a boca”). A sociedade tolera o docente que se doa até a exaustão, mas não suporta aquele que, enquanto sujeito desejante e pensante, aponta as fissuras da estrutura (o reativo “vocês têm o que merecem”).
A verdade é que, para além da repulsa ideológica, grande parte da sociedade brasileira rejeita a denúncia sobre a precarização do ensino e as péssimas condições de trabalho porque, em última instância, essa crítica confronta a responsabilidade que a própria família tenta terceirizar. Ouvir o professor reclamar é ser lembrado de frustrações políticas e de um dever que se deseja esquecer.
É exatamente aqui que a minha escrita incomoda. Quando descrevo o mal-estar docente, toco no Real – aquilo que angustia porque escapa à maquiagem ideológica. Para muitos, é insuportável encarar esse espelho, pois ele reflete não só a falência de um projeto de educação, mas a omissão coletiva.
Por isso, o ataque pessoal surge como um mecanismo de defesa. Tenta-se desqualificar a interlocutora para não ter que lidar com a verdade do enunciado. O grito do hater é, muitas vezes, a confissão da incapacidade de elaborar o contraditório ou de reconhecer a sua ignorância.
👇CONTINUA NOS COMENTÁRIOS🧶
Cursos, palestras e mentorias para a sua escola
Deixe seu contato para receber novidades da Via Mestra e conversar sobre formação de professores e gestores.

Comentários
Seja a primeira pessoa a comentar.