Ano letivo/2025 em análise (parte V): o dever de pausar e a coragem de esperançar

Ano letivo/2025 em análise (parte V): o dever de pausar e a coragem de esperançar

ANO LETIVO/2025 EM ANÁLISE (PARTE V): O DEVER DE PAUSAR E A CORAGEM DE ESPERANÇAR
[...]
Nós, professores, não entramos em 2026. Nós sobrevivemos a 2025. E quem sobrevive ao caos da escola e a um ofício tão devastador não quer promessas de Ano Novo. Quer o direito de esquecer que a escola existe.

É por isso que o encerramento da nossa análise chega agora, em janeiro. O "atraso" deste texto não é desleixo, é a prova real de que terminamos o ano letivo nos arrastando, sem fôlego até para concluir os ciclos. Se o nosso post anterior teve menos eco, talvez fosse o silêncio do seu cansaço dizendo: "Chega. Não aguento mais pensar em trabalho." E você tem razão. A exaustão não respeita as datas comemorativas do calendário.

Hoje, fechamos essa jornada de 5 partes não olhando para os diários, mas para o espelho. Vimos em 2025 o corpo adoecer, a sociedade cobrar e o Estado abandonar. Mas, aqui estamos... nem tão firmes, nem tão fortes.

Hannah Arendt dizia que a educação é o ponto onde decidimos se amamos o mundo o bastante para nos responsabilizarmos por ele. Apesar dos pesares, nós amamos. Amamos ao insistir no aluno "impossível"; ao comprar material do próprio bolso; ao engolir o choro para oferecer acolhimento. Isso não é romantização nem sacerdócio; é política.

Mas, neste janeiro, o ato revolucionário muda de nome: ele se chama DESCANSO.

O filósofo Byung-Chul Han diz: quem não para, se perde. Professor, a escola ficou em 2025 e agora quem importa é você. Você é um sujeito de desejos, sonhos e limites, não uma máquina. O mundo já começou a gritar exigências e metas para 2026, mas a sua única meta agora deve ser o "não-fazer". Desligue as notificações. Ignore os grupos. Esqueça a escola! A revolução também se faz dormindo até mais tarde.

Entremos neste novo ano, como ensinou Paulo Freire, esperançosos. Mas da esperança do verbo esperançar: de construir, de não aceitar a barbárie, mas, acima de tudo, de se preservar. Pois, sobrevivemos. E isso, por si só, já é grandioso. Que venha a paz das férias. Nós a merecemos como ninguém.

Que estas férias não sejam apenas uma pausa no trabalho, mas um reencontro gentil com quem você é quando o sinal não está tocando. Abração!

Comentários

    Seja a primeira pessoa a comentar.

    Faça seu cadastro para comentar — sem senha. Seu e-mail e WhatsApp não são publicados.

    Cursos, palestras e mentorias para a sua escola

    Deixe seu contato para receber novidades da Via Mestra e conversar sobre formação de professores e gestores.