Saúde mental como direito – parte I

Saúde mental como direito – parte I

Enquanto alguns se perdem em teorias, os professores estão na linha de frente com a velha e cansada coragem: sem recursos, sem reconhecimento e sem saúde. O ato de resistência não só é bonito e inspirador, como também é exaustivo. É claro que é necessário lutar pela educação pública, – que opera em escassez de saúde – debater e defender a qualidade do ensino e seguir firme no chão escolar fazendo o nosso melhor. O que não podemos é ignorar o desabamento que a escola vive diariamente. E se tem um problema que ninguém tem dado conta de solucionar, é a saúde mental docente.

Mas, professora, não tem como! E digo: tem, sim! É absolutamente possível ter espaços terapêuticos nas escolas, organizados e orientados por especialistas; criar rodas de diálogo e escuta atenta; ter ações de comunicação não violenta, mediação de conflitos e desenvolvimento de habilidades socioemocionais com atividades humanizadoras. Os acervos físicos e digitais estão abarrotados de pesquisas científicas apresentando dados, situações concretas e saídas de cuidados psíquicos para a comunidade escolar.

O que não tem é disposição política de enfrentamento, porque para sustentar investimento educacional, é preciso “muito peito” para não ceder ao neoliberalismo de palanque, que domina as esferas do poder. O excesso de quadros de adoecimento psíquico docente é por falta de cuidado com a educação, sobretudo, com o recurso humano mais importante desse sistema: o professor. Reconheço que, com raras exceções, não temos governadores e prefeitos comprometidos com a educação de qualidade, já que negam o piso salarial, no maior caradurismo da falta de verba.

A docência, em sua essência, é um ato político de insurgência contra a desumanização. Enquanto os professores resistem no cotidiano escolar — entre a violência simbólica e a ausência crônica de políticas de saúde mental —, o debate público ainda se perde em abstrações que ignoram o óbvio: não há educação de qualidade sem condições dignas para quem educa. A solução não está em romantizar a resiliência, mas em confrontar a ‘desarquitetura’ sistêmica que transforma escolas em espaços de adoecimento coletivo.
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