O fim do ano e a exaustão dos professores

O fim do ano e a exaustão dos professores

Todo final de todo ano tem essa aura festiva, que nos envolve em confras de amigos/firma, formaturas, despedidas e aquele flerte fatal com as férias de verão (para os sortudos que as têm). Por outro lado, a época apresenta um quadro nostálgico natalino e um estranho cansaço pelo enfrentamento do ano. São tantas comemorações e tantos sentimentos ansiosos para que tudo aconteça ou acabe, que nem sempre saboreamos as culminâncias.

Às vezes não nos damos conta que vivemos um período de eventos e episódios intensos, que não podemos experimentar nos demais meses do ano. Ainda que o Carnaval seja marcado por farra e pausa, nenhuma outra época do ano é como o mês de dezembro. É como se fôssemos invadidos pela urgência da agenda e pelo clima de “festeje já”.

Só que nessa correria compulsória de mil coisas, os profissionais da educação atravessam esse período com expectativas e possibilidades distintas de outros labores. Longe de reduzir a importância e o cansaço de outras categorias, sobretudo daquelas que prestam serviços essenciais, importa dizer que aqui registramos a problemática da educação e dos educadores.

Logo, convém fazer uma sensível observação aos professores da educação básica e àquilo que são sujeitados na reta final de todo ano; que, por passarem o ano inteiro submersos em um cotidiano laboral sufocante, finalizam o ano em um grau tão alto de esgotamento (físico e mental), que torna impossível se recuperarem no passo dos recessos apressados. E quando menos se espera, outro ano começou e a labuta escolar reinicia – e quantas vezes, não é exatamente como dos anos anteriores?

A angústia docente incide na continuação desse terrível sistema de ensino, que só investe na precarização da educação e das condições do trabalho docente. Além de faltar justa remuneração e reconhecimento sócio moral, os professores também buscam por realização. E com efeito, eles encerram o ano com sentimentos de exaustão e frustração, que segundo o Instituto de Saúde e Sociedade (ISS) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), têm sido tão frequentes, que a Síndrome de Burnout já atinge mais de 1/3 dos professores da educação básica.

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