A travessia docente na reta final

A travessia docente na reta final

Falta um mês para o aniversário de Jesus e em menos de 40 dias já estaremos em 2025. O tempo é um trabalhador sério que não brinca em serviço. Ele é pontual, dinâmico e incansável. Parece não deixar margem de erro, pois a tudo que em seu contexto acontecer, é responsabilidade da vida e dos vivos.

Não sei como tem sido o ano de 2024 para você, mas sei como tem sido para a educação brasileira, para os educadores e para os alunos, e adianto, não tem sido nada fácil. O tempo mostra uma passagem violenta da realidade humana para a virtualidade e a robótica; vivemos a era da hiperconectividade, dos recursos tecnológicos e da fugacidade das relações humanas. Nos rendemos às telas e elas cercam a todos nós, mas as gerações mais jovens não têm suportado o sistema tradicional de educação. Em contrapartida, os educadores dificilmente encontram caminhos e respostas para a “salvação” de seus alunos. Estes reclamam das regras, desprezam os adultos e o saber. Os professores atravessam o ano em absoluta frustração, sentem desencanto e sabem que foram abandonados pelas autoridades políticas e reconhecem que jamais poderão querer por seus alunos.

As queixas escolares giram no desinteresse discente, do desrespeito e da indiferença em relação aos professores, ao conhecimento e às instituições sociais (que moralizam e regram a existência). Nunca ouvi tanta reclamação sobre o comportamento das gerações em idade escolar, como aconteceu neste ano de 2024. O uso do celular em sala de aula, as fotos e filmagens das aulas dos professores; a chacota com a profissão professor, com o ensino, a aprendizagem e a profissionalização pelo sistema formal, nunca foram tão desprezados pelos jovens. Seus interesses não contemplam o ensino formalizado, a escola, as normas sociais.

Em todo o país, o número de adoecimento psíquico da classe docente não para de aumentar. A insatisfação com a carreira, o sofrimento de ter que levantar todo santo dia para ensinar a quem não quer aprender é a principal angústia. É desesperador ter que cumprir deveres, executar o seu trabalho a quem não tem o menor interesse no seu conteúdo, no que você tem a falar, a ensinar, a ser.

Comentários

    Seja a primeira pessoa a comentar.

    Faça seu cadastro para comentar — sem senha. Seu e-mail e WhatsApp não são publicados.

    Cursos, palestras e mentorias para a sua escola

    Deixe seu contato para receber novidades da Via Mestra e conversar sobre formação de professores e gestores.