Segunda posto trechos da coluna que escrevo no @jornaldacidadegv onde discuto sobre o esgotamento docente e o mal-estar escolar.

Segunda posto trechos da coluna que escrevo no @jornaldacidadegv onde discuto sobre o esgotamento docente e o mal-estar escolar.

⚠️ Lembre-se: post e legenda são apenas fragmentos do artigo, procure contextualizar.

Beijos, boa leitura e ótima semana 💜
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PROFESSOR TRABALHA OU CUMPRE PENA?

Quem acompanha o meu trabalho por aqui, possivelmente se lembrará que em 2023 escrevi uma série de artigos em prosa, onde usei Fernando Pessoa para falar da docência. Para ser mais clara, empreguei a dor existencial do ajudante de guarda-livros, da cidade de Lisboa – que conhece como poucos, os abatimentos de uma alma – para discorrer pelas dores existenciais dos professores. E como uma apaixonada pelo poeta e pelo profissional, como, pela poesia e pela docência, eu não sei por que cargas d´água achei que a tarefa seria mais simples do que realmente foi. Afinal de contas, eu versaria o sofrimento de dois sobreviventes lutadores: o poeta e o professor.

Mas a verdade é que não foi simples. E talvez porque seja mais fácil perguntar, que responder ou entender a resposta; ou menos difícil questionar do que resolver; ou mais justo estender as indagações, do que simplificar as complexidades da vida. Trocando em miúdos, talvez seja mais fácil apontar que a carreira docente não tenha valor socioeconômico, do que versar a vida como uma “loucura lenta de desconsolo”, onde há pouco sentido ou nenhum e é a gente quem deveria dar; talvez seja mais fácil dizer que quem vive como professor no Brasil, “não morre: acaba, murcha, desvegeta-se”, do que explicar que esse murchar, na verdade é uma ação do sistema, da sociedade e nossa.

Morremos diariamente em um sistema de cumprimento de tarefas e deveres como se fossem penalidades. Somos exigidos com imposições e continuamos sentando para reclamar, quando deveríamos entender os porquês de tanto condicionamento. Falar que “a vida está cheia de paradoxos como as rosas de espinhos” é perceber que, mesmo sendo um dos pilares mais importantes para o desenvolvimento de uma nação, o professor é destroçado e aniquilado em uma rotina atroz, que ao invés de trabalho, parece um cumprindo de pena. Já não trabalhamos. Nós cumprimos ordens com dissabor.

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