Docência não é sacerdócio, é profissão!

Ser professor demanda bem mais que reza, chamado ou ritual. Ao docente é exigido um lote de procedimentos que partem de estudos específicos e contínuos, eternas pesquisas, muuito trabalho (on, off, presencial, virtual, híbrido, e raramente lírico). Além do mais, há outra classificação do esgotamento laboral chamado alto custo psicológico. É claro que essa labuta é comum a vários outros ofícios, mas, o debate desta página é a Educação, mal-estar docente/escola e, por isso (ou por issos) é que não podemos desviar a atenção dos desdobramentos, dos males que cercam a todos nós. Contudo, a profissão professor nunca deveria ter se tornado refém de prerrogativas dogmáticas e permanecido no tempo histórico, onde cunharam o tal do “dom” de ensinar e a tal da “vocação” para educar. A classe docente anda pleiteando o seu lugar de pertencimento, a sua identidade profissional que versa em desafios, lidas, planos, métodos, técnicas, sequências, critérios.
O cansaço dessa alcunha santa-laboral anda morrendo em nossos corações, mas, tá custando a cair dos nossos ombros. Nos atendimentos terapêuticos que faço com professores que buscam uma vida docente mais justa e menos infeliz, tenho no método dialético a base para que façam uma necessária autoanálise para além da profissão, que leva o indivíduo a refletir suas escolhas de vida (com profundidade), a observar as contingências jamais desejadas e a enxergarem o caminho rumo ao objetivo principal da mentoria, que está na redução de danos psíquicos causados no exercício docente.
Tenho pensado nos interessantes relatos dos educadores sobre a insatisfação salarial e as péssimas condições de trabalho, que sempre foram as nossas marcas de ferrete de brasa – mas que nem sempre ocupam lugares no pódio do sofrimento docente. A reflexão que fazem sobre a trajetória ao longo da carreira; da formação inicial; das capacitações (misericórdia!); das experiências em sala de aula; do horror em mar aberto, que, muitas vezes é a sala dos professores; das muitas perdas e dos danos, etc, o que a grande maioria sempre pontuou é o quanto o fator relacional se revela no verdadeiro moer de alma e de ossos.
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