Segunda é dia de postar trechos do artigo que publico no @jornaldacidadedegv

O conteúdo é sobre o adoecimento docente e o mal-estar escolar. Se você perdeu a sequência, volte alguns posts ou chame no direct.
Beijos, boa leitura e ótima semana!
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“Tenho passado dias de angústia aguda, física mesmo, com a indecisão dos problemas metafísicos” e educacionais que cobrem a comunidade escolar. Acreditar que é absolutamente possível constituir uma Educação Básica Pública de qualidade, em tempos de incertezas requer uma luta constante contra a redundância dos discursos políticos, que se traduzem em uma pobreza de práticas frente às mudanças que realmente são necessárias.
Os “tecelões da desesperança” criam políticas públicas marketeiras, carregadas de homilias construtivistas, transformadoras da realidade, com seus futurismos digitais e propostas para a humanização de humanos e responsabilidade ambiental, mas, que não passam de alimento para o mercado pedagógico e desnutrição das redes públicas de ensino. Assim, o esgotamento docente está tão imenso e se arrasta há tanto tempo, que o professor olha esse cenário de absoluta desídia e sente “um desconsolo enorme, uma dolorosa certeza de nunca poder fazer nada de bom e útil” que possa desconstruir o império de crise, que os donos do poder ergueram na Educação.
Mas nada disso é simples e “o que temos sobretudo e cansaço”. Como é comum a muitos profissionais, o trabalho do professor não se encerra no final de um longo dia de trabalho. Escola não é uma indústria, onde o funcionário encerra o seu turno e retoma no outro dia. Na profissão professor não existe isso de desligar a máquina, tirar o uniforme, apagar a luz e só no outro dia religar. A docência veste-se de uma estrutura laboral sem fim. O recomeço de um dia nunca é reduzido a ligar máquinas e retomar de onde parou, porque o professor não só leva muito trabalho pra casa, como é sobrecarregado com a demanda psíquica das vivências escolares (além da vida pessoal, que todos têm e por vezes é negada ao professor ócio e lazer).
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||As partes entre aspas são do Livro do Desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa||
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