Segunda-feira é dia de postar trechos do artigo que publico aos domingos, no @jornaldacidadegv

O conteúdo é sobre o adoecimento docente e o mal-estar escolar, no contexto da Educação Básica. Se você perdeu a sequência, sugiro que volte alguns posts ou entre em contato pelo direct.
Boa leitura!
Beijos e ótima semana procês!
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“Sei que estes pensamentos da emoção doem com raiva na alma – e tudo isto pesa como uma condenação”, contudo, não podemos atirar pra todo lado, culpar a todos e a todo custo sem raciocinar com responsabilidade. Nós não podemos paralisar no lugar de vítimas submissas, aguardando misericórdia e alforria. Fomos constituídas vítimas por um sistema cruel, que planejou a culminância e a permanência da crise na Educação. A precariedade das condições de trabalho que enfrentamos diariamente, por anos a fio, não deveria subestimar a nossa capacidade de luta.
Existem saídas e possibilidades; e podemos nos reerguer, sacudir a poeira e lutar como povo, como vítimas que guerreiam. O que não podemos é continuar público de nossa própria existência, isto seria “o verdadeiro sinal do peso da nossa escravidão”. Estamos sendo devorados pelo relógio do mal-estar civilizador e temos o dever de buscar saídas possíveis e respostas de perguntas, que, nós também devemos reformular!
Temos autoridade discursiva e lugar de fala, logo, devemos recobrar o nosso turno de fala. O papel que não podemos deixar de desempenhar é o da reflexão crítica do nosso ofício e o da prática frequente daqueles que decretam sobre nós. Enquanto povo e não como público, o nosso dever é interpelar a estrutura educacional e as maneiras com que os gestores políticos administram a base da educação pública. Questionar o nosso adoecimento físico e mental não se encerra na queixa, esta não deve ter um fim em si mesma. Se “a vida atira-nos como uma pedra” e não controlamos a velocidade nem a direção, por que a reflexão não se concentra sobre o que fazemos com o que fizeram conosco?
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||As partes entre aspas são do Livro do Desassossego, composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa||
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