A ilusão matemática do calendário: por que mais dias letivos não salvam a educação?

Na última semana, fomos milhares debatendo a redução drástica das férias escolares. A indignação que transbordou nos comentários mostrou que o problema vai muito além do calendário: estamos falando de exaustão.

Existe um discurso muito bem construído pelas políticas educacionais de que aumentar a quantidade de dias no chão da escola é o caminho mágico para a qualidade. Foi assim que fomos empurrados dos 180 para os 200 dias letivos (absolutamente exaustivos e adoecedores). Mas acredito que nós precisamos problematizar a quem essa lógica industrial serve?

No post de hoje, convido você a refletir sobre como essa busca implacável por quantidade tem aprofundado o mal-estar docente e escolar. A sobrecarga de trabalho extraclasse, a dupla jornada, a falta de descanso docente e o cansaço mental dos alunos nos mostram diariamente que educação não se faz em uma esteira de produção e, muito menos sob a ditadura do calendário escolar.

Eu sei muito bem que somos uma categoria que, muitas vezes, resiste separada e que está desunida na luta. Historicamente, somos fragmentados por redes, disciplinas, hierarquias acadêmicas, salários e ideologias. A rotina pesada nos isola nas nossas próprias salas de aula e, quando vemos, estamos competindo para ver quem está mais cansado e mais medicalizado.

Além disso, precisamos enxergar que o próprio sistema nos mantém tão sobrecarregados que mal conseguimos olhar para o colega do lado; pois, a máquina que esmaga o professor do Estado é a mesma que adoece o professor do Município e o da rede privada. A exaustão que sentimos no domingo à noite é exatamente a mesma. A angústia e a frustração que invade o nosso pensamento ao fim de uma aula, são exatamente as mesmas. O que quero dizer é que o adoecimento não escolhe lado, ele aponta para todos os educadores: tanto para o professor de história, quanto para a professora da educação infantil. O alvo é a docência. A educação não é prioridade social ou governamental.

Proponho que problematize tudo o que nos disseram sobre esse calendário escolar obeso e sem nutrientes.

Boa leitura, beijos e ótima semana!❤️

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