Por que grande parte da sociedade brasileira decidiu premiar o escárnio e punir o giz?

"Classe inútil e vagabunda", "só querem greve e doutrinação", "não sabem ensinar". Essas foram algumas das frases que inundaram a minha caixa de comentários na última semana, após eu denunciar a covardia do vereador (e de outros políticos) que esbanjam privilégios enquanto humilham professores em greve.

Embora o post tenha sido um sucesso de engajamento, o que veio na sequência serve como um alerta urgente. Afinal, ver o cidadão comum, esmagado pela rotina e pela inflação, gastar o seu tempo para defender um parlamentar que ganha R$ 35 mil públicos por mês e chutar a professora que sobrevive com o piso salarial revela uma inversão de valores assustadora.

Essa hostilidade, contudo, não é um fato isolado, mas sim o sintoma de um projeto. A engrenagem do discurso de ódio conseguiu convencer uma parcela da sociedade de que o direito de pagar as contas e exigir condições básicas de trabalho depende do alinhamento ideológico de quem ensina. Diante disso, criou-se o cenário perfeito para transferir a culpa do Estado para a vítima, blindando governantes oportunistas que continuam cortando verbas da educação básica sem sofrer qualquer rejeição nas urnas.

Por essa razão, no carrossel de hoje, decidi trazer esses comentários reais para o centro do debate. Arraste para o lado para analisar comigo as contradições e as consequências desse comportamento que, sob o pretexto de combater uma suposta doutrinação, sabota o futuro das próximas gerações.

Concluo, em síntese, que o resultado desse ciclo não será uma escola neutra, mas sim o apagão docente, o esvaziamento do conhecimento, a humanização dos laços e a falência das salas de aula. Quando o cidadão comum aplaude o escarnecedor de terno e ataca o professor que ganha o piso, ele se torna cúmplice do desmonte da escola pública. E se continuarmos destruindo a dignidade de quem alfabetiza, colheremos um país de cidadãos submissos e governados pela mediocridade. É preciso entender, de uma vez por todas, que defender o educador é, antes de tudo, um ato de sobrevivência nacional.

🧶E você, o que pensa sobre isso?

Abraço e ótima semana! ❤️

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