Quando o saber escolar não encontra eco na geração das telas – Parte 3

Quando o saber escolar não encontra eco na geração das telas – Parte 3

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O que torna essa correnteza tão avassaladora é que ela não é apenas cultural, mas também biológica e cognitiva. A neurociência, através de obras contundentes como “Fábrica de cretinos digitais”, de Michel Desmurget, apresenta dados do que vivemos na prática: o uso excessivo de telas está reconfigurando o cérebro das novas gerações e empobrecendo funções executivas fundamentais para a aprendizagem. A queda inédita nos níveis de QI (Quociente de Inteligência), a erosão da memória de longo prazo e a incapacidade de sustentar a atenção não são mais impressões nossas, são o resultado mensurável de um ambiente cognitivo tóxico. A “fratura epistemológica” da qual falamos é, na verdade, uma rachadura neural. Nossa, que medo!

A queda do QI representa uma reversão histórica do chamado “Efeito Flynn” – o aumento secular dos escores de inteligência que marcou o século XX. Agora, pensa bem! Pela primeira vez, diversas nações desenvolvidas registram um declínio consistente no QI das gerações. A partir das últimas décadas, pesquisas em países escandinavos, França, Reino Unido e outros começaram a identificar uma inversão ou estagnação do Efeito Flynn. Ou seja, as pontuações de QI pararam de subir e, em alguns lugares, começaram a cair.

Para pesquisadores, os fatores que alavancaram o QI no século XX (avanços na educação, nutrição e saúde) parecem ter atingido seu ápice de contribuição e começam a ser suplantados por uma nova e severa realidade. Três fenômenos emergentes atuam como forças corrosivas da capacidade intelectual:

Em primeiro lugar, o empobrecimento linguístico, a substituição da leitura profunda e das conversas ricas em vocabulário pela comunicação telegráfica e pelo consumo passivo de vídeos de curta duração (com trends e desafios virais do TikTok, Instagram Reels e Youtube Shorts). Quando o cérebro é privado do desafio de decifrar estruturas sintáticas complexas e de construir representações mentais elaboradas, perde gradualmente a aptidão para operar em altos níveis de abstração, que é a base indispensável do pensamento crítico e do raciocínio lógico.
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⚠ Em breve, a Parte 4.

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