Quando o saber escolar não encontra eco na geração das telas – Parte 2

Quando o saber escolar não encontra eco na geração das telas – Parte 2

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Essa geração, moldada no vácuo dos algoritmos e na recompensa instantânea de uma nova curtida desenvolveu o que costumo chamar de ‘alergia à frustração’, e o professor, aquele que ousa ensinar, é tragicamente transformado no carrasco que aplica a pena do pensamento. O limiar de tédio discente é baixo e, consequentemente, o processo educativo (esse caminho pedregoso e glorioso de rascunhar, errar, refazer, interpretar e, por fim, compreender) é apresentado não como uma jornada de conquista, mas como um ‘castigo’ aplicado professor carrasco.

Nessa lógica distorcida e absurdamente simplificada, a exigência do mínimo formativo – a escrita que fixa, a leitura que desvenda, a arte que eleva, a interpretação que liberta – converte-se no ato opressor de quem se nega a servir o conhecimento mastigado como um ‘fast-food’ intelectual.

É precisamente aqui que a angústia docente, anteriormente um fardo pessoal, se aprofunda e ganha contornos acentuadamente institucionais. Nós, professores, guardiões de uma tradição humanista que vê no esforço a mais alta expressão da dignidade humana, somos caricaturados como vilões de um roteiro que não escrevemos. O verdadeiro inimigo, no entanto, é um combo tóxico cujos ingredientes são familiares: a terceirização da educação por famílias negligentes; um sistema educacional que, sob o véu da inclusão, nivela por baixo e esvazia o conhecimento de seu caráter desafiador; uma cultura dominante que banaliza o saber em prol do entretenimento vazio; e, por fim, uma legião de influenciadores digitais que, na ânsia frenética por clicks, mercantilizam a ilusão perigosa de que a não-formação é um ato de rebeldia, quando na verdade é uma armadilha sutil para a servidão e a produção de cidadãos de terceira classe.

Diante deste cenário desolador, a pergunta que nos persegue é: como não desistir? A resposta, tão paradoxal quanto a nossa realidade reside na compreensão de que esse cansaço que abate é coletivo e sintomático, nascido de uma fratura social. Não se trata de uma falha isolada, é o peso esmagador de lutar contra uma correnteza que arrasta.

Em breve, a Parte 3.

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