Sabedoria docente: estoicismo e sobrevivência (parte final)

Sabedoria docente: estoicismo e sobrevivência (parte final)

Para concluir a série do estoicismo como instrumento de resistência docente, trago hoje uma síntese que condensa os pilares mais importantes dos textos anteriores, com a proposta de aplicações para este 2º semestre, na esperança de oferecer não apenas consolo, mas ferramentas para a luta diária.

Revisitamos Sêneca, Epiteto e Marco Aurélio não em busca de respostas fáceis, mas de ferramentas de lucidez. Compreendo que a síntese estoica para o docente não é um rol de regras, mas um posicionamento existencial. Seu núcleo é a fronteira entre o que é seu e o que não é. Seu é o empenho, a excelência, a ética. Não são os resultados, o reconhecimento, a grosseria do diretor ou o funcionamento do projetor.

E eis o 1º ponto: não controlar tudo, e o que pode, é sua responsabilidade. Nas palavras do prof. Clóvis de Barros Filho, a lição mais conhecida de Epiteto é que “na vida, algumas coisas dependem de nós. Outras, não. E são nessas coisas que devemos apostar todas as nossas fichas. Se vincularmos a felicidade ao que não depende de nós, viveremos sobressaltados, à mercê do que não controlamos, espremidos entre a esperança e o medo.

2º ponto: a ditadura do urgente, que funciona na falácia do importante e na loucura da pressão. Pensa bem, se tudo é urgente, nada é prioridade. Eu sei que tempo é luxo para poucos e que dependendo do vínculo empregatício e da gestão, muitos educadores temem se desligar da escola após horário de trabalho. Mas esse tempo não deve ser negociável, porque urgente, mesmo, é não colapsar. Se você se deitar diante de uma avalanche burocrática, por exemplo, ela vai te enterrar sem dó.

3º ponto: acreditar ser indispensável. Para Sêneca “nenhum vento sopra a favor de quem não sabe para onde ir”. Então, professor, não caia no discurso de que só você pode organizar tal projeto e que não terá a mesma qualidade ou o mesmo resultado. Sair aceitando tudo quanto há, te dispersa de propósitos maiores. Dizer “não, não posso assumir isso agora” à coordenação que te sobrecarrega, não é fraqueza, é autopreservação. Priorize a si e a sala de aula. O resto é ruído.

4º e último ponto: nos comentários 👇

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