Sabedoria docente: estoicismo e sobrevivência (parte I)

Sabedoria docente: estoicismo e sobrevivência (parte I)

Para quem não teve a parada respiratória das férias de julho, ainda que breve, certamente seguirá o ano e a rotina escolar com mais cansaço. Mas aqueles que tiveram esse direito, a pausa termina e outro desafio recomeça. O retorno pós-julho não é só uma data no calendário, é um reencontro com as próprias escolhas, com as dores e com as delícias de educar.

No texto de hoje não pretendo discutir a redundância do mal-estar docente nem apresentar falsos positivos. O que proponho é um pacto de lucidez a partir da seguinte questão: como navegar nas águas turvas da educação básica sem naufragar? A resposta repousa na intersecção entre saúde mental e sabedoria estoica (não como resignação, mas como estratégia de guerra).

Na última semana estava lendo sobre a corrente de pensamento estoica e fiquei refletindo sobre as ideias de seus principais filósofos: Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio. À medida que passava as páginas e fazia buscas na internet, eu me deparava com situações concretas do ofício docente e pensava em como poderia fazer essa intersecção com o esgotamento mental dos educadores. Claro que (ainda) não deu tempo de aprofundar, mas deu para conjecturar a aplicação do estoicismo à realidade docente a partir do contraste entre o controlável e o incontrolável.

É que nos trabalhos de formação com gestores e professores, um dos sentimentos mais relatados é o sofrimento pelo que não podem controlar. Sabemos da dificuldade em cultivar resiliência no abismo entre o ideal pedagógico e a realidade precarizada, e talvez (não para todos) seja possível usar o estoicismo como ferramenta de sanidade mental e escapar do que não depende de nós.

Segundo Epicteto, a felicidade e a liberdade começam com a compreensão clara de um princípio: algumas coisas estão sob nosso controle e outras não. Logo, desgastar-se com o imutável é uma violência contra si mesmo. Não é cinismo, é preservação de energia vital. Quando o som ou o projetor falham no meio da aula, a raiva não consertará o equipamento, mas sugará sua capacidade de improvisar uma solução criativa.
[...]

Parte II na próxima semana.

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