Cheguei, brasil! Parte II

Cheguei, brasil! Parte II

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Início de ano letivo é sinônimo de novas possibilidades, daquela mistura doida de emoções e sentimentos, que convergem esperança, empolgação e incertezas. Mas se a gente for considerar a realidade da educação básica pública brasileira, a verdade é que a maioria dos professores vai pra escola de coração partido, corpo letárgico e mente cansada. Certamente precisava de mais tempo, mais descanso. Há um consenso nostálgico na lenta despedida das férias, do calor do lar, do relaxamento dos horários e do prazer da não-obrigação – “ai que prazer, não cumprir um dever”, como bem disse Fernando Pessoa.

Enquanto os alunos vivenciam a empolgação de reencontrar os colegas, uma suposta expectativa pelos novos aprendizados e, ao mesmo tempo, a inquietude de viver a rotina intensa de estudos novamente; os professores enfrentam a estranha expectativa do “mais do mesmo”, sentem ansiedade, temor e cansaço (mesmo depois das férias, que não passam de pausas insuficientes ao descanso físico e mental).

A desilusão profissional costuma ser acionada no instante que a reunião pedagógica começa! Os professores recebem boas-vindas, folhas impressas, avisos, abraços, acolhimentos (ou não!), palavras soltas, sentimentos presos, antipatias e angústias disfarçadas de piadas. Assim, os chistes pedagógicos jogam ping-pong em mesas bambas, redes puídas e raquetes de farpas. O professor acena a cabeça para si mesmo em uma enternecedora resignação e pensa como que pode, o recomeço não passar de uma continuação!

Quem nunca reparou, que a primeira reunião pedagógica, mais parece um infinito déjà vu? A naturalidade com que as frases de efeito (estufa o peito pra cair de pé) são ditas, já não motivam os corações despedaçados daqueles que passaram o ano lutando pra educação dar certo. O tom estimulante dos textos que pouco ou nada estimulam, que parece servir para irritar, ainda mais, aqueles que acompanham a romaria dos pronunciamentos motivacionais em ecos. A questão é que foi dada a largada do ano letivo/2025 e isto nunca chega só, vem com seus fervorosos discursos pedagógicos, que reúnem positividade cínica, pessimismo vicioso e resignação disfarçada de fé.
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