Natal não é para ser teórico

Natal não é para ser teórico

A mensagem do Natal é sobre amor, esperança, solidariedade e generosidade. Para os cristãos, o Natal celebra o nascimento de Jesus, que é visto como símbolo de amor incondicional e compaixão. Independente da fé, a data convida as pessoas a refletirem sobre a importância da união, do perdão e da renovação dos laços familiares e comunitários. Além do religioso, o Natal transmite valores universais, como a generosidade, que é expressa no ato de presentear, e a solidariedade, com a reflexão sobre os menos favorecidos e a ajuda ao próximo. E enquanto atravessava esse corrido mês e me desdobrava em confraternizações, encontrei inúmeras pessoas e situações que me fizeram refletir sobre esses valores, que pensei como virtudes, para então citar a belíssima obra do filósofo francês André Comte-Sponville,

Com um racionalismo crítico, nem pessimista ou otimista, Sponville deixa claro como que cada uma das 18 virtudes nos falta. Ao ver as coisas como são, sem qualquer pensamento fantasioso ou simplificado, o filósofo coloca a virtude como ato e apresenta exemplos para que seja compreendido que virtude “é uma força que age” [...] “assim, a virtude de uma planta ou de um remédio, que é tratar; de uma faca que é cortar; ou de um homem que é querer e agir humanamente [...] a virtude da faca não é a da enxada; a do homem não é a do tigre. A virtude de um ser é o que constitui seu valor, é a sua excelência própria: a boa faca é a que corta bem, o bom remédio é o que cura bem; e o bom veneno é o que mata bem”, e assim por diante.

Porém, nenhum destes é o homem e nem tem a intenção racional, pois, “a virtude é uma disposição adquirida de fazer o bem”, não é coisa que se faça na vã fugacidade ‘do nada’ ou da vaidade da vida, talvez por isso que também elas sejam “sempre necessárias e difíceis”. Não basta aprender sobre generosidade e aplicar o conhecimento de forma técnica, como um método pedagógico. “É preciso ser justo antes de ser generoso”. E a generosidade não deve ser confundida com o conforto moral para ter uma consciência tranquila. A generosidade depende de vontade, de querer agir, de querer fazer o bem. É poder e querer; é uma escolha.

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