Sessenta dias para o fim

Sessenta dias para o fim

Como todos os colegas da classe trabalhadora, nesta segunda-feira acordei às voltas com as demandas e as preocupações que o labor entrega no início de cada semana. E uma das primeiras coisas que me propus a fazer, foi ler as mensagens dos membros desta comunidade e respondê-las.

Como acabamos de passar pela semana de outubro, em que a maioria das escolas públicas brasileiras fizeram recesso, as mensagens que recebi quase sempre traziam o velho e duro sentimento de angústia, onde os professores expressavam o pesar em ter de retornar ao trabalho, à escola e à sala de aula.

Fui lendo e respondendo, mas havia um padrão e achei melhor ler um volume maior para então responder com mais elaboração, pois a indicação do mal-estar docente estava presente em todas. Isto não significa que os professores só enviam queixas. Eu também recebo mensagens formidáveis de superação, luta, otimismo, sugestões, parabéns, elogios absurdos sobre o trabalho feito nesta página. A questão é que, como hoje marca o retorno pós recesso e o aniversário de Jesus está há 65 dias de distância, parece que os professores viveram um domingo bem mais angustiado que de praxe.

Sabemos que segunda-feira é um dia dramático e reiniciar a máquina humana para voltar à rotina, sacrifica o bom humor. Quem não lembra do gato Garfield que odiava – com todas as forças – as segundas-feiras? Além da sua famosa frase “I hate mondays”, a sua teoria defendia que o mundo acabaria numa segunda-feira, pois seria uma tristeza isso acontecer num fim de semana.

Há uma brincadeira na ideia de início de semana e fim de mundo que não podemos deixar de considerar e subjetivar, e a questão do recomeço não deixa de trazer algo de fim. Nas respostas que encaminhei aos professores, lembro de dizer que faltava pouco para o próximo descanso.

É claro que, quando já não aguentamos muita coisa, o esgotamento grita mais que a esperança. Eu sei que retornar não é fácil e que o recesso parece ter durado apenas algumas horas, mas aguenta firme que ainda tem feriado e pouco mais de sessenta dias para as festas de final de ano e para as nossas queridas e tão merecidas férias. Nenhuma tempestade dura para sempre.

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