Respira fundo, que o texto vai doer!

Respira fundo, que o texto vai doer!
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O DIVÓRCIO LITIGIOSO DA CLASSE DOCENTE
A troca de farpas e a deselegância relacional parecem ser imperativos resistentes ao mundo pós-moderno, com um curioso destaque a nós da Educação. Nos queixamos do estado, da sociedade, dos alunos, dos pais e de tudo que precariza docência, mas, muitas vezes nos esquecemos que somos coautores de várias cenas que narram as histórias.
Apesar do legado de luta e das conquistas históricas, a união docente tem se mostrado frágil e temporária e perde lugar para a antiga picuinha que, além de nunca faltar aula, vem sendo levedada no ambiente virtual em contextos que deveriam receber absoluta seriedade e comprometimento de causa. Ora parecemos crianças, ora adultos pirracentos. Será que não desejamos paz e diálogo e na verdade preferimos farpas bélicas e dissabores imaturos? É o que parece.
Falamos mal dos nossos colegas por qualquer motivo; rimos enquanto dão sugestões no conselho de classe; debochamos quando erram o tempo verbal ou uma concordância simples; negamos apoio em seus projetos; criticamos nas costas, apoiamos na frente; reviramos os olhos quando outros são elogiados e nós, não; achamos que fazemos mais que todos ou fazemos pouco, mas é o que eles merecem de nós: o pouco ou o nada; criticamos iniciativas de novatos; reclamamos da folga dos veteranos com seus privilégios de horários, salas, quinquênios e escaninhos; desrespeitamos os professores do apoio e de PDC; excluímos os contratados [...]
Presumimos que especialistas sejam mais inteligentes que regentes de turma, apesar destes serem os verdadeiros alfabetizadores do País; nos sentimos superiores aos professores da Educação Infantil porque trocam fraldas, dão banho e “só brincam”; menosprezamos monitores; ventilamos informações da vida dos colegas; desconhecemos os nomes das merendeiras; o porteiro é o “moço”; a secretária é rabugenta; odiamos gratuitamente e amamos pobremente; julgamos sermos melhores, mas, não somos; preferimos pagar com desunião o alto preço da derrota, do que reconhecer comportamentos, rever atitudes e buscar mudanças. Somos desunidos e estamos pagando um boleto caro por conta de tanta cólera.
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