Segunda-feira é dia de postar partes do artigo que escrevo para o @jornaldacidadegv publicados aos domingos. Nele discuto o adoecimento docente e o mal-estar escolar, no contexto da Educação Básica.

Se você acabou de chegar e ainda não conhece o nosso trabalho: seja muito bem-vinda (o)! Sugiro que volte alguns posts para ler os trechos do início, eles são fragmentos de uma big pesquisa.
Se você já chegou faz tempo: obrigada por continuar comigo; abaixo segue a sequência da sua leitura.
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Se o exercício docente é “um poço de sonhos que esqueceu de sonhar até o fim”, passo a reflexionar sobre o que exatamente, estamos classificando de fim? Estaríamos falando da morte física e que os professores deveriam sonhar com uma educação de qualidade até o fim de seus dias, moribundos em leitos de morte e em salas de aula? Ou o fim estaria no êxito da aprendizagem do aluno e não esquecer de sonhar até o fim residiria em não desistir de testar inúmeros métodos de ensino, até que ele tenha compreendido algum conteúdo e adquirido conhecimento? Lembrar de sonhar até o fim consistiria no sucesso profissional do aluno, já em sua vida adulta, e este fim teria que se repetir diariamente ao longo da sua trajetória escolar, sem esquecimentos ou desistências (de quem ensina e de quem aprende). Neste caso, há uma objeção da própria vida, já que tomar conhecimento deste resultado escapa ao nosso ofício. As contingências, as fatalidades, as escolhas que fazemos e aquelas feitas pelos alunos acabam distanciando a possibilidade de saber até onde o nosso fazer pedagógico alcançou e influenciou em sua formação. Quem planta tâmaras não faz a colheita.
Em outros termos, portanto, se ir até o fim significa não desistir, o próprio fim acaba configurando inúmeras situações, como, o fim de uma aula, de um dia escolar, e um ano letivo, um projeto interdisciplinar, uma intervenção pedagógica; o fim da paciência do professor em sala, da sua capacidade de suportar desrespeitos e destituições existenciais. Na pior e mais factível das hipóteses, o fim de sua saúde, depois de sua vida – ou o contrário, se considerarmos que quem vive como professor, “não morre: acaba, murcha, desvegeta-se”.
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