No dia 1º de janeiro de 2022, a Organização Mundial da Saúde (OMS) colocou a síndrome de Burnout na lista das doenças ocupacionais. No Brasil, a doença recebeu o código QD85, dentro da CID-11 (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde). Mas, o que isso significa? Que a síndrome do esgotamento profissional, como é mais conhecida por aqui, passou de estresse comum a uma psicopatologia de problemas de saúde que o trabalhador pode ser acometido no ambiente de trabalho, afetando, assim, a sua saúde física e mental.

Sabe-se que o ofício docente é uma das categorias laborais mais propícias à exposição de estresse, ansiedade e angústia. E não, não é uma ladainha amiudada de papagaios, nem tão pouco uma defesa prosélita de engajamento, muito embora eu tenha autoridade para o fazer; tanto pela minha causa oficial, pois, sou professora há quase 20 anos, como pelas minhas pesquisas e pelo meu trabalho com a formação de professores.

Além do mais, a questão do esgotamento docente é uma inquietação permanente da Via Mestra que busca respostas e saídas possíveis para os problemas estruturais da comunidade escolar. Nos países ocidentais há um enorme volume de pesquisas sobre a saúde docente. Basta dar um google com alguns termos, como “saúde mental do professor” que aparece um monte de artigo (de jornais digitais a plataformas científicas).

E no Brasil, apesar da sólida base de dados sobre a temática, percebo certa timidez nas investigações que interrogam o discurso da angústia docente e as suas reais motivações – que acentuam o coro do sofrimento – sem considerar as questões da subjetividade, que compreendem desejos, projetos, sonhos e frustrações do educador enquanto sujeito histórico.

Claro que não podemos simplificar o nosso sofrimento, é preciso método, pesquisa, análise de dados, critérios e cuidados, sempre e sempre. A pandemia parece ter alimentado tais análises, porque cá entre nós, foi devastador enfrentar aquele Ensino Remoto Emergencial e ainda falar meses a fio com a tela e o nada!

E continuamos estudando e buscando respostas para esse padecimento docente que parece não ter fim. Mas tem respostas, origens e saídas!!

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