Como é comum a muitos profissionais, o trabalho do professor não se encerra no final de um longo dia de trabalho. Escola não é uma indústria, em que o funcionário encerra o seu labor e retoma no outro dia. Na profissão professor não existe isso de desligar a máquina, tirar o uniforme, apagar a luz e só no outro dia religa. A docência veste-se de uma estrutura laboral sem fim. O recomeço de um dia nunca é reduzido à ligar máquinas e retomar de onde parou, porque o professor não só leva muito trabalho pra casa, como é sobrecarregado com a demanda psíquica das vivências escolares (além da vida pessoal, que todos tem e por vezes é negada ao professor lazer e investimento).

As doenças que acometam os profissionais da educação parecem incuráveis e em constante evolução. As origens desses males são gerais e específicas, fáceis de dizer e complexas no tratamento.

Não é mentira que o professor está extremamente cansado. Como aponta o artigo -- Síndrome de Burnout na educação: como estão os professores? -- os autores pontuam que, “quando não se tem um reconhecimento justo do próprio trabalho e esforço, é preciso buscar novos e outros meios de renda, o que faz emergir um quadro de exaustão nesse âmbito pelo acúmulo de responsabilidades, sem o reconhecimento na mesma proporção. Com as várias funções laborais que procura exercer para manutenção de suas despesas, o conhecimento do docente fica negligenciado, configurando-se uma reles mercadoria cuja maior importância não é a qualidade.

Sem estímulo, o docente perde a energia de continuar na batalha profissional diária e sofre ao olhar a deterioração de seu semblante. Cai a sua produção. Os alunos são afetados. A educação declina-se. A insatisfação é social. Com sua figura desgastada – quer seja pela má remuneração, quer seja pela desvalorização social de seu papel, que chega à beira do desrespeito –, instaura-se uma situação propícia para a ocorrência cada vez mais frequente de síndromes como a de Burnout.”

Você já teve burnout? E o que é Burnout? É o tema do próximo post.

Fonte: Principais transtornos psíquicos na contemporaneidade. Org. Juliana Sampaio. Campos dos Goytacazes, RJ: Brasil Multicultural, 2019, p.165-172.

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