A força do coletivo

A força do coletivo

Conhecemos intimamente o gosto amargo de carregar a educação nas costas sendo tratados como peças descartáveis por meio de contratos precários e aposentadorias roubadas. O sistema romantiza nosso esgotamento com o discurso cínico de "heróis por vocação" para, em seguida, rasgar nosso plano de carreira e ignorar o piso salarial. Apostam no nosso isolamento e lucram com a nossa exaustão, tentando nos convencer de que tirar dinheiro do próprio bolso para garantir a aula é algo aceitável e imutável.

Mas a história da nossa classe grita o contrário. Quando foi que governantes nos entregaram algo de mão beijada? O Piso Salarial (2008) e o FUNDEB permanente (2020) não caíram do céu; foram conquistados em greves históricas, em caravanas a Brasília, com professores dormindo em acampamentos, enfrentando o frio e o descaso de governantes para garantir o mínimo de dignidade. Conquistas acontecem quando fazemos pressão, unindo as ruas, as redes sociais e a mobilização de base.

O solavanco político das últimas semanas esfregou na nossa cara que a realidade não é estática para quem vai à luta. Vimos a militância reverter um cenário de retrocesso absoluto em apenas 20 dias de diálogo incansável, provando que as estruturas de poder estremecem quando o trabalhador caminha unido. Precisamos trazer essa mesma fúria e capacidade de virada para o chão das escolas, resgatando o esperançar de Paulo Freire.

A união que garantiu a vitória de Lula e barrou o retrocesso nas urnas é a exata mesma força que nos salvará da precarização. O respeito que nos devem será pago quando o custo político de nos ignorar for alto demais para qualquer governante bancar. Olhe para o colega não apenas como um companheiro de exaustão, mas como a nossa maior rede de apoio e força coletiva. A virada nas urnas já aconteceu, e a valorização da nossa carreira também é possível, porque o cansaço isolado gera adoecimento, mas o cansaço organizado gera revolução.

E lembre-se: os nossos direitos foram arrancados com muita organização, suor e enfrentamento de classe. Sem a união, jamais teremos a força necessária para barrar os retrocessos e conquistar as melhorias que são nossas por direito.

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