A ilusão dos recordes: o abismo entre o IDEB e o chão da escola

Em março desse ano, eu fiz algumas publicações sobre a felicidade dos gestores políticos com os resultados do Censo Escolar/2025, que apresentou uma queda drástica (e histórica) na distorção idade-série, com redução de 61% no atraso escolar dos alunos do 3º ano do Ensino Médio (e nós sabemos que o EM é o gargarlo da educação básica pública brasileira).

Na cabeça desses políticos, o Brasil estava finalmente corrigindo o fluxo, mas, lembro de pontuar que essa celebração do aprendizado não passava de uma mera movimentação do aluno de uma série para outra dentro do sistema de ensino.

Hoje volto a este assunto porque nos últimos dias fomos inundados por manchetes ufanistas celebrando as médias históricas e a superação de metas do Ideb 2025, divulgados agora no início de agosto. Mas o que esses números realmente atestam? Vamos refletir: o Brasil avançou na aprendizagem ou apenas refinou a engenharia estatística para inflar relatórios?

E de novo: o debate que proponho não é sobre criticar a celebração da aprendizagem, mas de analisar e questionar índices que celebram uma aprendizagem disfarçada de belos índices.

E no carrossel de hoje, convido vocês a uma leitura crítica e profunda a partir de uma análise fundamentada sobre como o gerencialismo e a "cultura da performatividade" transformaram a aprovação de alunos em uma meta numérica compulsória, maquiando as defasagens de aprendizagem e gerando um profundo adoecimento ético e moral nos educadores.

Quando o sistema exige resultados inatingíveis, a escola é empurrada para a manipulação de dados (e quem paga a conta com a própria saúde mental é o professor).

E devido à densidade teórica e à importância dessa discussão para a nossa categoria, precisei dividir a análise. O texto que você lê nos cards acima é a Parte 1. Na próxima segunda-feira, em nossa habitual reflexão semanal, publicarei a Parte 2, onde avançaremos no debate sobre as consequências práticas dessas políticas de avaliação e pensaremos juntos em caminhos de resistência pela via da ética do cuidado, que também é luta.

Então, boa leitura, beijos e uma ótima semana! ❤️
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#ideb #saeb #mec

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