Repita: sábado letivo não é lei

Nosso encontro semanal da segunda-feira precisou ser adiado para hoje porque o meu corpo cobrou exatamente aquilo que tanto defendemos por aqui, que é o direito ao repouso. Fui derrubada por uma gripe forte que se transformou em uma crise de sinusite e precisei ficar quietinha ontem para conseguir respirar e me recuperar.
Nós estamos atravessando aquele famoso mês infinito de agosto e o cansaço bate de um jeito que parece simplesmente esmagar a nossa vontade de seguir em frente. É justamente nesse período do ano que o peso do calendário escolar se mostra mais cruel e a gente começa a sentir o impacto profundo dessa invenção burocrática que suga a nossa energia vital que é o sábado letivo.

Eu conheço muito bem a sensação de acordar exausta no fim de semana e ter que ir para a escola cumprir tabela apenas para fechar uma carga horária imposta pela secretaria. A gente acaba naturalizando essa violência contra o nosso tempo de repouso porque sempre disseram para a categoria que a lei obriga e que não existe outra saída. Só que a legislação educacional diz que a escola precisa cumprir o mínimo de 200 dias e 800h e em nenhum lugar está escrito que isso precisa acontecer sacrificando o nosso fim de semana.

Nós passamos o ano inteiro organizando festas juninas, feiras culturais e planejando projetos interdisciplinares que demandam um tempo enorme e que contam legalmente como dia efetivo de trabalho. Falta apenas que a gestão coloque tudo isso de forma oficial no projeto da escola e pare de transferir a desorganização do sistema diretamente para a nossa saúde mental sendo paga em sábados letivos desalmados.

É fundamental construirmos juntos uma base sólida sustentada por uma ética do cuidado dentro das escolas e isso só ganha força real quando os educadores se reconhecem nesse cansaço e lutam lado a lado para garantir que o repouso seja respeitado. Eu realmente acredito que o cenário nas escolas começa a se transformar de verdade quando as nossas vivências ecoam nas histórias de outros colegas e nós finalmente percebemos o quanto a nossa união tem o poder de proteger o nosso tempo, conquistar OS nossos direitos e também de mantê-los.

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