Quando o diálogo pedagógico se esgota, a lei se torna a nossa única ferramenta de sobrevivência
No último mês, o que presenciei nos comentários e nas mensagens privadas da série Escudo Docente não foi um mero engajamento de redes sociais, mas um verdadeiro clamor coletivo por socorro. A enxurrada de relatos de professores buscando orientação e amparo diante de agressões físicas, perseguições administrativas e assédios morais escancarou uma realidade brutal: a escola contemporânea foi transformada em uma trincheira de abusos e exaustão, onde o educador é frequentemente esmagado entre a negligência do Estado, a covardia da gestão e a hostilidade de alunos e algumas famílias.
Ao longo da nossa jornada mapeamos essa dor; nós nomeamos os abusos, separamos o mero conflito pedagógico da infração penal, desnudamos a tortura burocrática que rege a gestão pelo medo e impusemos os devidos limites institucionais àquele clientelismo horroroso de pais que tratam o ambiente escolar como quintal de casa.
Portanto, o diagnóstico da nossa miséria, por si só, não cessa o sofrimento. A psicanálise nos adverte que a cura de uma estrutura adoecida exige que o sujeito abandone a posição de objeto passivo (que é aquele que apenas absorve e internaliza o impacto da violência do outro) e assuma o controle da própria narrativa através de uma ação concreta, capaz de romper a compulsão à repetição do trauma.
E hoje, no texto que fecha a série, o foco é a articulação da sua defesa estrutural. Quando a caneta, a diplomacia e a ata escolar não são mais suficientes para frear a barbárie institucionalizada, torna-se absolutamente imperativo acionar a força coercitiva externa. É o momento de recorrer ao BO para tipificar o crime, de convocar a força política do Sindicato contra o isolamento, de acionar a fiscalização implacável do Ministério Público e de buscar a reparação financeira e civil por meio da advocacia.
E não normalize o inaceitável sob o falso pretexto de uma vocação romantizada. O seu adoecimento psicossocial não é uma falha didática sua, mas o resultado de um projeto político de precarização que só pode ser desarticulado quando respondemos com o rigor inflexível da lei.
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