Censo 2025 e a escola conectada: a quem serve esse wi-fi quando os donos das plataformas ocupam o poder público?
O post chega hoje, porque a última semana me exigiu por inteira. No sábado (14), estive no palco do TEDx como speaker – denunciando o mal-estar docente e a exaustão crônica na educação básica –, e precisei respeitar o tempo do corpo e da alma para me recompor.
Produzir conteúdo e manter esse canal de reflexão é parte fundamental do meu trabalho, mas é preciso fazer isso dentro do que é humano e possível. Sem ceder à lógica da máquina, embora já tenha acontecido, pois faço questão de responder TODAS as mensagens que recebo no direct e me empenho a responder os comentários. Pois, cada post é feito no dia e isso exige pesquisa, conferência de dados, atenção, corpo e mente minimamente descansados para entregar a qualidade da informação e do conhecimento que os educadores precisam e merecem.
E por falar em não ceder à lógica da máquina, chegamos à Parte 3 da nossa análise do Censo Escolar 2025. Então, leia o texto no carrossel, que está denso e ácido. O documento celebra o avanço numérico da energia elétrica e da internet nas escolas. Mas quem vive o chão da educação básica pública precisa questionar: conectada a serviço de quem?
Quando cruzamos a falta de estrutura básica, como fiação arcaica que não sustenta a climatização em dias de calor extremo, com a imposição compulsória de pacotes tecnológicos de corporações privadas, o projeto fica escancarado. Estamos sendo engolidos por uma plataformização que não inova, apenas adoece. O poder público, muitas vezes gerido sob a lógica de CEOs, impõe Apps que mercantilizam o ensino. O resultado? O professor tem seu profissionalismo desidratado para atuar como um mero fiscal de telas, correndo atrás de engajamento para alimentar planilhas de lucro dessas EdTechs.
A inclusão digital é um direito inegável, mas não pode ser o Cavalo de Troia para esvaziar o nosso ofício. Nenhum aplicativo substitui o rigor do debate, a mediação qualificada e o acolhimento diante da dúvida. Defendo aqui e sempre vou defender que a tecnologia mais potente, sofisticada e insubstituível da educação sempre será a conexão humana.
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