Ano letivo/2025 em análise (parte II): educar na modernidade líquida e na sociedade de consumo

Ano letivo/2025 em análise (parte II): educar na modernidade líquida e na sociedade de consumo

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E continuando a nossa série “retrospectiva 2025”, hoje nós vamos olhar para fora da sala dos professores e encarar o contexto sociocultural. Nesse ano, a escola pública lutou contra dois gigantes invisíveis e onipresentes: a desatenção programada e a desvalorização profunda do saber sistematizado.

Vivemos o que Zygmunt Bauman chamou de “modernidade líquida”, onde tudo é volátil, inclusive o compromisso com o aprendizado. A sala de aula, que deveria ser o templo do saber e da construção crítica, disputa espaço desigual com a dopamina das telas e com uma sociedade de consumo que ensina crianças e adolescentes que “ter” define muito mais o sujeito do que o “ser”. O aluno chega à escola imerso na lógica do tal algoritmo: quer tudo rápido, curto e divertido. Mas a educação é, por essência, um processo de pausa, de aprofundamento e, muitas vezes, de tédio construtivo (falei disso em posts passados).

O mal-estar escolar que enfrentamos em 2025 veio, em grande parte, da tentativa hercúlea de ensinar a quem foi socialmente treinado para ser cliente, não estudante. O conhecimento, que exige tempo, rascunho, erro e frustração, perde valor numa cultura do imediatismo e do sucesso fácil das redes sociais. Vimos o desinteresse brilhar nos olhos de muitos, não necessariamente por maldade, mas porque a escola, com sua lógica processual e humana, parece “lenta” e “inútil” demais para uma geração que mede o sucesso por likes, seguidores e engajamento.

A defesa de Nuccio Ordine, em “A Utilidade do Inútil”, ressoa como um manifesto urgente para nosso tempo. Ele ilumina um paradoxo vital: são justamente os saberes considerados "improdutivos" - a filosofia que questiona, a arte que comove, a literatura que amplia o repertório humano, a história que contextualiza - que tecem a própria tela da dignidade humana.

É nesta trincheira de valores não quantificáveis que a escola básica pública encontra sua mais nobre e árdua missão de resistência. A docência e a educação, hoje, representam o ato mais radical de nosso tempo: a contracultura.
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⚠ O texto continua na próxima semana!

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