A adultização e o colapso do sentido: que humanidade estamos formando? (Parte I)

A adultização e o colapso do sentido: que humanidade estamos formando? (Parte I)

Quando gurus mirins vendem fórmulas de suce$$o e crianças em podcasts atacam a escola afirmando que são inúteis e que complicam “a vida do empreendedor” (no caso estas mesmas crianças), não testemunhamos somente a glamourização do empreendedorismo precoce, mas, também a mais perversa distorção da infância sob o viés do capitalismo no mundo digital. Além de ser trabalho infantil, trata-se de um modelo de trabalho mascarado de empoderamento que adultiza e viola o direito ao desenvolvimento integral e transforma corpos infantis em mercadorias algorítmicas. O véu da produtividade esconde uma engrenagem que explora vulnerabilidades e que lucra bilhões, e, tudo isso bem debaixo do nosso nariz e das barbas da Lei.

A escola, alvo preferencial desses discursos, é justamente o último bastião de resistência. Enquanto influenciadores a demonizam, lembremos que cerca de 70% das denúncias de abuso sexual infantil partem de professores (Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2021). Nas salas de aula, educadores identificam marcas de violência intrafamiliar, ensinam pensamento crítico e oferecem o que o mercado nega: chances nas aprendizagens e o direito ao erro, à dúvida e ao tempo não monetizado. Honestamente não me importo se é clichê, se tá “babado” ou se romantizo demais a educação ao afirmar que ser professor é um ato político, mas a pedagogia, nesse contexto, é ato político! Sabe por que? Porque competir com algoritmos que glorificam o lucro, é uma guerra pela infância e pelo direito de aprender.

A bomba da adultização, da erotização e da exploração sexual infanto-juvenil explode diariamente nas escolas, mas a explosão aconteceu no dia 6 de agosto com o vídeo do influenciador Felca, que viralizou e já tem +45 milhões de views. Claro que o vídeo e os temas levantam questões graves e de análises profundas, impossíveis de serem superficializadas em legendas de instagram. A questão que trago está na fração de responsabilidade que escola e educadores desempenham nos atos de cuidado e de proteção de crianças e adolescentes, que vivem tempos de insegurança e perigos nos espaços digitais.
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