Retrospectiva 2024 da educação

Retrospectiva 2024 da educação

Salvo raras exceções, todo final de ano é quase sempre igual: vivemos um mês que parece um “sextou” sem fim; participamos de confraternizações; comemoramos o aniversário de Jesus em família, com presentes e muita comida; e nos preparamos para a despedida do ano, em um réveillon de rituais preparados à gosto.

No instante em que o calendário diz que um ano morreu e outro nasce “novinho em folha”, parte de nós elabora o mote das experiências vividas e passamos a pensar promessas de mudanças. Talvez seja a velha vocação da humanidade de crer no porvir, de ter esperanças no escuro e de buscar a utopia.

Sei que estou longe de apostar no otimismo tonto e cego, desses que ignoram a esperança retida na caixa de pandora, mas também sei que é um imperativo seguir acreditando na potência do “esperançar” ou tão pouco eu poderia ser educadora ou psicanalista. A questão esbarra no que Eduardo Galeano disse sobre a serventia da utopia, já que caminhamos rumo a um horizonte que se afasta à medida que nos aproximamos dele e o propósito parece ser estéril.

Não estou falando da esperança somente por desejar que 2025 seja um ano incrível, mas, para lembrar que 2024 foi um ano duro para os profissionais da educação e que a possibilidade de repetição dessas dores é grande, caso não continuemos lutando por melhores condições de trabalho, pela qualidade da nossa saúde mental e por aquilo que estiver ao nosso alcance na redução de danos. É o que Galeano expressa: a utopia serve para que a gente não deixe de caminhar.

O que quero dizer é que para esperançar, não podemos nos esquecer o que buscamos, o que desejamos e o que já conquistamos. É preciso lembrar que direitos são conquistados por meio de luta e as greves que os profissionais da educação fizeram em todo o Brasil no início do ano esfregaram na nossa cara o que nos falta conquistar e que devemos continuar em luta para manter garantias já conquistadas pela classe docente.

Outra questão que agonizou a educação foi a pachorra das propostas de privatização das escolas básicas públicas, que tomaram conta das pastas de governos de grandes centros [...]

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