Cadeirada no plural

E as “cadeiradas” cambiadas entre dois candidatos à prefeito de São Paulo, no debate da TV Cultura? De memes a análises políticas, o tema e as várias perspectivas me chamaram a atenção para uma questão central: a violência.
As opiniões sobre o conceito de violência são divididas, pois somos inclinados a nomear como violência a agressão física, mais que a verbal, psicológica ou patrimonial. Gritos, xingamentos e humilhações parecem menos nocivos que um tapa na cara, um soco, um chute. Só para exemplificar melhor: o conceito de “traição” que, normalmente é relacionado à infidelidade sexual em relacionamentos monogâmicos, principalmente, casamentos. Depois vem a traição da confiança entre amigos, sócios, familiares e colegas – raramente a traição é pensada em outros contextos. Mas a grande maioria de nós não quer sofrer violência nem ser traído e, acredito que também não deseja violentar ou trair (exceto, perversos e psicopatas, sem empatia ou arrependimentos).
No caso das cadeiradas, a questão central tem a violência em suas duas formas: verbal e física. Ao usar a palavra “cadeirada” no plural, conjugada à ação “cambiada”, intrinsecamente acomodei a atitude (ação|reação) dos dois candidatos como “violências”. A cadeirada é uma reação à ação; é a agressão física como reação à agressão verbal, de uma provocação com intenções violentas. Não foi uma agressão, mas, duas; e nenhuma é aceitável. O desrespeito não é somente entre eles, é sobretudo, com o povo, que assiste “bestializado” ao “rendez-vous dos Príncipes”, como disse Raul Pompeia, citado pelo historiador José Murilo de Carvalho em seu livro “Os bestializados”.
Além do declínio do diálogo e da importância da gente conhecer os políticos e as suas propostas, dói-me observar as semelhanças que as cadeiradas têm com a Educação. A violência política nas eleições/2024 espelha casos graves da realidade escolar, onde funcionários, gestores, professores e alunos (e pais), em algum momento, agrediram ou foram agredidos verbal ou fisicamente. Infelizmente convivemos com agressões, suprimimos o diálogo, temos provocações sádicas para reações truculentas. Isso não é só incivil, é insalubre.
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