Desistência subjetiva docente

Uma das principais queixas dos professores é a lida diária com os alunos. A convivência que, já não é fácil em casa, com amigos e sociedade, de um modo geral, parece se agravar no espaço escolar. Alguns professores se dizem adoecidos com “o terror que está a educação, sobretudo, nas relações interpessoais”, disse-me uma professora recentemente, observando o desrespeito discente.
Se este artigo não é o 1º que lê por aqui, certamente você sabe que sou professora de professor e pesquisadora de assuntos educacionais, onde priorizo pautas sobre o esgotamento psíquico da nossa classe. Semanalmente posto artigos, recortes de pesquisas e o “quebra-pau” acadêmico que se dá, quando enfrentamos a máquina pública e a sociedade. Pois bem, com razão e sensibilidade reconheçamos que nem tudo é responsabilidade deles, muito embora tenham uma grande parcela no pioramento da educação pública e da crescente desvalorização do professor.
Em um estudo de orientação clínica para tratar sintomas subjetivados em estados depressivos, busquei referências nos núcleos de pesquisas em Educação e Psicanálise da UFMG, USP e UFRS. E foi em uma dessas leituras que me deparei com o conceito “demissão subjetiva”, que veio como uma apunhalada na alma. O termo faz referência ao professor que desistiu de seu próprio “desejo de viver” (conceito é de perspectiva freudiana) e que “joga a toalha” se sentindo incapaz de ensinar e “fazer” a aprendizagem acontecer. Veja o que o autor diz:
“O sujeito evade-se e inibe-se a fim de evitar se deparar com a angústia de não ser capaz de fazer valer a sua função [...]
O sujeito hoje tende a escolher tal demissão de forma extensivamente plural. Não é apenas através de uma tristeza petrificada ou de comportamentos de mortificação (abuso de álcool, transtornos alimentares), mas também através do excesso de trabalho, da prática de atividades perigosas, do consumo compulsivo, da afânise de indivíduos em redes sociais ou do abuso de psicofármacos.
O desejo nessas condições pode estar em suspensão. Mesmo com excessos de atividade, que não escondem o vazio que se tenta maquiar, o sujeito se retira da vida e, com efeito, deprime-se.”
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