Toda segunda posto trechos da coluna no jornal, onde escrevo sobre o mal-estar docente e escolar.

Toda segunda posto trechos da coluna no jornal, onde escrevo sobre o mal-estar docente e escolar.

Segue a outra parte do texto “CARREIRA DOCENTE: ESGOTAMENTO, GREVE E FRUSTRAÇÃO”, onde falo um pouco + sobre as questões de uma educadora trazidas nas angústias da greve/SP.

⚠️Post e legenda são APENAS fragmentos do artigo. Procure contextualizar a leitura ao texto e às outras publicações.

Beijos, boa leitura e ótima semana 💜
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Com raízes na precariedade das condições de trabalho e de organização do trabalho docente, o discurso de revolta daquela professora atropelava os seus próprios sentimentos, que expunha a camada humana das contradições. Enquanto as suas distinções iam mudando, ela não conseguia perceber que a sua angústia se misturava entre a negação da política municipal em reajustar o salário dos educadores e a sua saída de um estado de passividade vivido há anos, já que não participava de protestos coletivos nem se posicionava em situações de conflito do cotidiano escolar. Passar a maior parte do magistério concentrada em aspectos emocionais negativos de si mesma, dava contornos sombrios à sua insatisfação profissional.

O quadro aflitivo estava na indignação, mas havia uma agonia no silenciamento estendido ao longo da carreira, na evitação de confronto em favor de si, de seus pares e de uma suposta paz de espírito, como ela mesma denominou. Essa percepção foi levantada nos momentos seguintes ao atendimento e segue em elaboração para os próximos encontros, pois não trata apenas de uma indignação profissional, mas de um processo de conscientização do indivíduo em relação a escolhas, consequências e responsabilidades consigo e com o coletivo.

Continuei trabalhando nas soluções, do aparentemente inssolucionável contexto adoecedor dos professores. O estresse docente tem se revelado em uma experiência extremamente desafiadora à sobrevivência dos professores e da educação básica pública, que se distancia cada vez mais da qualidade do ensino e do cuidado com a comunidade escolar. O clima organizacional e as relações interpessoais, somados às precárias condições de trabalho têm agravado sentimentos negativos, ansiosos, frustrantes e depressivos.
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